novembro 23, 2006
EM FIM UMA NOVA POSTAGEM (direto do Campus Party Brasil)
fevereiro 16, 2008

Universidade Federal da Bahia
Faculdade de Educação

Imagem, Televisão, e o Poder Decisório: implicações.

Por Bruno Santos Gonsalves
Estudante do Curso de Pedagogia da

Apesar de ser curioso, muitas pessoas não se questionam a respeito do que realmente gostariam de assistir na TV. Seria uma falácia dizer que a Televisão se mostra cada vez mais democrática, em todos os sentidos e aspectos? Apesar da opinião pública se mostrar negativa a respeito da programação, e ser quase um consenso sobre a baixa qualidade da programação, constitui-se um comportamento “normal” continuar aceitando tal programação e justifica-lo através de uma imagem de “ser normal”. Indo pouco além, pode-se ver o grau de insatisfação do telespectador, que está num aparente silêncio – mudo perante a grandiosidade televisiva. E de repente, no meio de um programa preferido, chega outro telespectador e lhe pergunta algo tirando sua atenção magnificada e paralisada diante do vislumbre da programação! Imagine a reação?

Pois bem, é sobre este poder que a TV tem de nos calar que irei dissertar. Como a TV sozinha consegue levar o telespectador ao outro mundo? Como este meio de comunicação consegue nos controlar, nos cegar, desviar nossa atenção para o supérfluo? A proposta central deste texto é justamente discutir os níveis de decisão em que a população brasileira não esta envolvida. Nível de decisão, este, que muda o sistema de teledifusão sem a consulta do povo brasileiro. Este texto aborda também sobre a proposta de uma nova programação para os telespectadores. É a promessa da interatividade na TV Brasileira com a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T).

Vários estudos comprovam a existência da influência das imagens em nosso cotidiano. Até Freud (1963) estuda o pensamento visual (SODRÉ, 1990 apud FREUD, 1963) onde ele explica que este tipo de pensamento é mais antigo que o pensamento verbal. Com o passar do tempo, estudiosos pesquisaram a respeito da importância do sentido visual no ocidente, como por exemplo, McLuhan (SODRÉ, 1990 apud MCLUHAN, 1963). O fato marcante da história é que, apesar do advento da imprensa, nós seres humanos utilizamos a visão para poder absorver as mensagens que estão nos impressos. Outro ponto, ainda a respeito do pensamento visual, é que primeiro houve a criação da escrita, depois o homem consegue se comunicar a longas distâncias através das ondas sonoras. Surge a televisão, deu-se o nascimento do computador e posteriormente a Internet. Exceto no uso do rádio, nós utilizamos a visão como canal receptor de informações. A partir do desenvolvimento do sistema capitalista, foi criada a padronização das coisas. É a padronização moral, intelectual e sentimental que estão no centro das ações. A partir disto surge à ordem da televisão e com isto reformula-se o antigo modelo clássico de sociedade. Segundo Sodré (1990) este sistema tem inicio muito antes de se estabelecer à técnica eletrônica definida como televisão: sua base psicossocial se estabelece com o fortalecimento do domino visual e dos processos mecânicos de reprodução, paralelo às novas formas de urbanização. (SODRÉ, p.25). Ainda segundo o autor citado, a TV acabou incorporando técnicas de reprodução que foram desenvolvidas pela modernidade e que influenciam a organização da vida social. Uma outra função que a “tela” apresenta é a facilidade de inculcar, nos telespectadores, as opiniões, preconceitos, convicções que formatam a mentalidade popular e por fim é transformada em costumes permanentes, costumes estes que influenciam o funcionamento das instituições políticas. (COMPARATO, 1991, P.303). Por tanto se faz necessário refletir sobre o verdadeiro papel da TV em nossas vidas. Na verdade “são necessárias reflexões” no que diz respeito a tomada de decisões, pois como é visível na obra A maquina de Narciso (1990) de Muniz Sodré, a sociedade urbana – outrora clássica, em decadência e agora moderna – o poder de decidir fica a cargo de tecnocratas, empresários e das burocracias partidárias, enquanto isso cabe as classes sociais básicas, resultantes da articulação capital/trabalho (SODRÉ, p. 129
) o “poder” de acatar o que já foi decidido. As estratégias de persuasão utilizadas pelas imagens limpas e sutis da tela, deixa-nos quietos. O fato de a tevê nos dominar, ou melhor, de decidir o que vamos, comer, beber, assistir e ouvir, deixa-nos estáticos perante a tela. Enquanto ela enculca, ficamos apenas a dizer “amém”. Enquanto ela nos programa com as “programações diárias”, sentamos e esperamos calados. Enquanto o poder burguês decide que tipo de TV eles querem, muitos morrem de fome esperando ajuda.

Dado a explicação sobre o poder que as imagens da tela tem em nos paralisar, enfim trago a discussão sobre o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T). Moran (1997) nos explica:

Estamos em uma etapa de transição quantitativa e qualitativa das mídias eletrônicas. Estamos passando de uma fase de carência de canais para uma outra de superabundância. Na TV a cabo e por Satélite, podemos aumentar o número de canais pela compressão digital até várias centenas. Mesmo a televisão aberta (VHF) vai poder proximadamente, com a TV Digital, multiplicar por cinco o número de canais ofertados. (MORAN,1997).

O autor explica neste fragmento um dos princípios básicos da TV Digital. E não para por aqui, ainda tem muito mais. É necessário definir um pouco mais sobre o que é este novo sistema de TV brasileira. Em primeiro lugar, o nosso sistema atual de transmissão de imagem e som é analógico, com a implantação do novo sistema a transmissão de imagem e som passará a ser digital. Além de permitir que uma única emissora de TV possua quatro, ou mais canais, com a mesma faixa de freqüência (6 Mhz), este sistema permite a melhor qualidade de áudio e vídeo. O Governo encampa as idéias: de inclusão digital; multiserviços, (TV/INTERNET); governo eletrônico; teleducação; telemedicina; telecomércio1; e ponto que eu vou “implicar” a interatividade do telespectador com o “programação diária”.

De uma forma resumida o advento da TV Digital se dará da seguinte maneira: a) a produção da programação de TV brasileira já em feita no método digital, porém, a transmissão e recepção da Televisão nos lares brasileiros é analógico; b) já com a TV Digital tanto produção, como emissão e recepção será digital, mas, só será possível receber essa transmissão digital se neste lar estiver instalado um Set Top Box2. Este aparelho SE estive equipado como o middleware possibilitará sim, a interatividade. E por que “se”? Existem os tipos de Terminal de acesso, tanto o simples que somente só faz a captura do sinal digital3 ate o mais avançado e possui as funcionalidades dos outros com a adição do middleware. Este último terminal de acesso (Set Top Box) será o mais caro, por possuir todas as funções. Será através dele que a população irá ter acesso aos grandes serviços oferecidos? Questiona-se: onde estar a “interatividade” neste momento? Por que a população até terá acesso a essa tecnologia, porém limitada apenas a receber a “programação diária”, com mais qualidade de áudio e vídeo. E se pensarmos que será o mesmo que aconteceu com o aparelho de DVD? Por que “quase” todo mundo tem um aparelho de DVD. Só que mais uma vez esquecemos de refletir sobre quem decidiu que deviamos mudar. No mesmo caso a TV Digital. Quem decidiu? Segundo o site da TELECO:

Para definir o Sistema Brasileiro de TV Digital, conforme Decreto nº 4901 de 26/11/03 o Governo Brasileiro Instituiu os seguintes comitês: Comitê de Desenvolvimento, com a participação de representantes dos vários ministérios e da Anatel; Comitê Consultivo, com a participação de entidades representativas; Grupo Gestor, com o apoio técnico administrativo da Finep e do CPqD. (TELECO, 2005).

E o povo, fica onde nesta história? Seria o povo representado por “entidades representativas”, ou pelo “Governo”. Tenho uma duvida com relação a “tal democracia” difundida neste pais. Seria isto um ato democrático? Enquanto uma boa parte da população brasileira morre da fome, não tem teto, saúde, outros decidem. O grupo que “abaixa a cabeça” continua na sua mesma rotina: abaixar a cabeça, sem questionar. Seria simplesmente a mudança de estratégia? Ou melhor, seria a “reformulação” do antigo modelo de sociedade baseado na mecanização e padronização das formas e modos de viver e pensar? Cabe a todos o momento de reflexão, mas, não só reflexão e também a ação.

Enfim, enfim, a conclusão:

Acredito que modelo político de um pais que se diz democrático advém da consulta e a participação do povo sobre algo que atinge diretamente a população. Apesar do meu discurso aparentar ser “anti-televisão”, também sou telespectador e tenho que admitir que apesar de exitir a manipulação da mente do povo através da TV, esta serve para educar o povo, dar acesso a informações sobre a sociedade e outras coisas mais. Meu questionamento está em como a telinha pode nós manipular ao ponto de ficarmos “bobos”, estáticos. Já com relação a TV Digital, não sou contra a sua implementação, pelo contrario, sou a favor a todas as funcionalidades, contudo, é realmente visível o engano na questão interatividade, pois quem terá condições de comprar um terminal de acesso que custe R$700,004 reais? Em verdade, esta é uma contribuição no sentido de alertar todos a respeito de um novo sistema de TV, que esta nos sendo empurrado a força, enquanto cruzamos os braços a espera da normalização do sistema. Não posso negar a existência de grupos que discutem o tema, porém, em minha opinião falta a divulgação deste material. Repito, não sou contra a melhoria do áudio e vídeo, ou da interatividade prometida, mas, creio que existiam outros problemas não resolvidos em nossos pais. Além do que este projeto de implantação do SBTVD-T terá o tempo de 15 anos, ou seja, em 15 anos todas as televisores do Brasil deverão que estar adaptados ao sistema digital, sendo tempo muito curto para podermos questionar e agir em prol na verdadeira sociedade que sustenta os poderosos, por isso, mãos a obra. Acredito que as implicações não podem parar depois do ponto f

inal deste texto, mesmo por que existem outras formas, outros fatos a se questionar. Creio que não será “um ponto final” e sim um novo “ponto de continuação”.

Notas:

1-ZUFFO, sd, p.1.
<!– @media print { body { padding-top:1in; padding-bottom:1in; padding-left:1in; padding-right:1in; } } body { text-decoration:none; text-indent:0in; text-align:left; font-weight:normal; font-variant:normal; color:#000000; font-size:12pt; font-style:normal; widows:2; font-family:’Times New Roman’; } table { } td { border-collapse:collapse; text-align:left; vertical-align:top; }2-O Set-top box converte o sinal digital, que será transmitido pelas emissoras, para o formato analógico das tvs atuais.
<!– @media print { body { padding-top:1in; padding-bottom:1in; padding-left:1in; padding-right:1in; } } body { text-decoration:none; text-indent:0in; text-align:left; font-weight:normal; font-variant:normal; color:#000000; font-size:12pt; font-style:normal; widows:2; font-family:’Times New Roman’; } table { } td { border-collapse:collapse; text-align:left; vertical-align:top; } –3-Ira custar entre R$ 100 e R$200 reais.
4-Em média.

Referências:

COMPARATO, Fábio Konder. È Possível Democratizar a Televisão? In. NOVAES, Adauto (org) . Rede Imaginária: Televisão e Democracia. São Paulo:Companhia das Letras. 1991, p.300-308.

SODRÉ, Sodré. A Máquina de Narciso: Televisão, Individuo e Poder no Brasil. São Paulo:Cortez, 1990.

MORAN, José Manuel. Como utilizar a Internet na educação. Ci. Inf., Brasília, v. 26, n. 2, 1997. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010019651997000200006&lng=es&nrm=iso>. Acceso em: 04 Out 2006.

TELECO.Disponivel em:<http://www.teleco.com.br/tvdigital.asp>, Acesso em: 15 Out 2006. 2006.

2 Comentários

  1. cidinha disse:

    Oi, Bruno gostei bastante do seu artigo. Parabéns, valeu ter vc como colega. um abraço

  2. Bonilla disse:

    bom, gostei

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