Resenha: Nas ondas da modernização

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Resenha: Nas ondas da modernização

ROCHA, Amara. Nas ondas da modernização: o rádio e a tv no Brasil de 1950 a 1970. Rio de Janeiro : Aeroplano, FAPERJ, 2007, 219 p.

Logo na apresentação, página 14, a autora faz dois questionamentos sobre a viabilidade do estudo sobre o rádio e a televisão: “seria um tema mesmo para historiador? O rádio e a televisão justificariam o investimento acadêmico de uma pesquisa de doutorado em história social?” Respondendo aos dois questionamentos feitos pela autora: sim, valeu a pena o investimento, pois, com a leitura deste livro, observa-se a grande importância do levantamento histórico e social do rádio e da televisão no Brasil.

Em síntese, a autora, através da obra, proporciona uma viagem no tempo que nos remete aos primórdios da criação (ou invenção) do rádio no Brasil. Neste livro a autora descreve sobre o pioneirismo dos primeiro radialistas. Um ponto marcante é que o rádio no Brasil nasce com fins educativos.

No primeiro capitulo “A alma do negocio: mapeando as emissoras”, a autora faz um mapeamento da emissoras e enfatiza a Rádio Nacional. Não fica claro no texto se esta ênfase é por causa do excesso/facilidade de se encontrar material sobre esta rádio. Contudo fica evidente que a Rádio Nacional era a única que conseguia chegar aos diversos cantos do Brasil. Claro que haviam outras rádios, inclusive, ainda neste primeiro capitulo a autora demonstra índices de audiência e a Nacional não era líder de audiência.

Na pagina 36 a autora descreve sobre a primeira legislação especifica para o rádio que foi regulamentada em 1932 e estabelecia o serviço que fosse de interesse nacional e de fim educacional.

Na pagina 39 Amara escreve sobre o uso politico da rádio “[…] o rádio, junto com o cinema e o culto aos esportes, integrava um sistema pedagógico pelo qual era possível articular saúde mental, moral e higiénica, procurando atingir eficazmente a massa de analfabetos.” (ROCHA, 2007, p. 39 apud Anuario da imprensa, 1941. p. 222). Com relação a este trecho destacado por mim, observa-se que o rádio era acessível tanto para os alfabetizados quanto para os analfabetos, naquela época não precisava a pessoa saber ler ou escrever para ouvir rádio, assim como hoje, esta exigência é mínima, pois, para o rádio ou para a televisão os canais de entrada das “informações” são os ouvidos e os olhos. Considera-se que nós não precisamos saber ler e escrever para assistir televisão ou ouvir rádio.

Na leitura das paginas 48 a 50, a autora traz atona as manobras politicas realizadas por Assis Chateaubriand. Ele foi contra a implementação da Televisão Nacional que era a proposta do governo de Juscelino Kubitschek. Chateaubriand, ameaçou o governo impondo que se caso a Televisão Nacional fosse implementada o governo receberia represálias por parte de emissoras associadas que mantinham o sistema de televisão. Na época da transição o rádio financiou o surgimento da televisão, no que diz respeito, principalmente, da parte técnica. Chateaubriand antes de se tornar o “magnata da televisão” ele já era “magnata” em outros ramos da mídia, então ele tinha poder suficiente para fazer com que as rádios que financiavam a televisão não financiassem o projeto do governo.

Com relação a transição, do rádio para a televisão, Amara destaca muito bem em sua obra as diferenças na produção de programas para o rádio e como o era produzido um programa de televisão. Enquanto nos EUA os programas da televisão eram feitos para a televisão, aqui no Brasil os programas de rádio – as radionovelas, por exemplo – eram reaproveitas para a televisão. Amara cita varias radionovelas que se transformaram em novelas na televisão. Mas isto acarretava em algum problemas de ordem técnica. Por exemplo, era muito mais fácil se reproduzir o “fim do mundo” pelo rádio do que pela televisão, claro que o “fim do mundo”, hoje é bem fácil de se reproduzir na televisão, pois a obra se refere a um período em que “computadores não faziam arte”.(ROCHA, 2007)

Na pagina 97 (final do tópico “com a palavra os senhores patrocinadores”), a autora escreve sobre uma publicidade que se aproveitou da ideia de generalização de se modernizar a sociedade brasileira, visto que esta sociedade estava “alçando voo” no espaço da televisão. Voltando para o rádio, a autora analisa que a necessidade da modernização da sociedade brasileira, mas esta só se daria, através do parâmetro da “educação para o consumo”. Ou seja o rádio que “nasce” com vocação educativa se transforma em mais uma arma para manobrar, coagir e reprimir a população, posteriormente a televisão continua o “serviço sujo” .

Como conclusão, pode-se dizer que autora em sua obra cumpre com a finalidade de levantar fatos históricos sobre o surgimento do rádio e da televisão no Brasil. Contudo observa-se uma certa carência no que diz respeito analise dos fatos destacados na obra. Não se esta afirmando a inexistência de “análise”, mais sim, que a autora poderia ter se colocado mais criticamente frente aos fatos explicitados.

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