CLARO OBSCURO

O que faço aqui? Preso, morto por minhas culpas. Elas não são tão minhas assim, por muitos motivos estou vivo… Um deles era você…

Trate-me como um cachorro, eu não sou tão imundo, vivo no mundo cão adorando a foto. Posso sentir o cheiro dos teus cabelos, você não sente nada por mim… Fico triste e por um instante ficou só com meu pensamento confuso…

Tenho que confessar, você venceu. Estou aqui sozinho neste momento. Incluo a minha solidão monótona, proponho uma questão: porque nas vezes – que nunca foram chances perdidas – regressei ao passado em busca de minha vida? Ela que era compactada a escuridão que impõe medo, mas é só ter medo da mente humana o resto à loucura. Vivo então no meu complexo repentino. Nos tempos de solidão tudo é diferente, meu olhar não brilha, não durmo na escuridão e enxergo outra solidão…

Essa outra solidão é ilusão, está tudo só outra vez… Todas as vezes que corria para teus braços à procura de um apoio, um consolo para toda essa minha tristeza.

Estou transformando-me em um problema… O problema que sou eu. Por todos os dias que dediquei a ti, todas as palavras bonitas que falava no seu ouvido. A tristeza me resume a tudo isso. Fico tentando imaginar o meu mundo – que é seu – ele está conservado em um lugar que só nós sabemos esse lugar você pode imaginar… O paraíso defronte o meu céu de dúvidas é com certeza o meu inferno.

Agora estou em frente a ti. Não me questione de o porquê do céu ser azul. Entre no banheiro e apague a luz! Então felizmente a tristeza de toma… Queria te esquecer, não consigo. A dor no meu peito é mais for e do que seu corte no dedo não tenha medo de si. Desculpe por ter sido assim, mas é assim que a tendência. Mergulhei no seu precipício de dúvidas carnais. É que no banheiro e eu apago a luz! Não me questione pela luz está apagada. Você sabia que tínhamos medo do escuro, pobre solidão de dos apaixonados. Perdidamente loucos e apaixonados.

Eu sei, mas você não quer escutar. Tarde demais para nossa paixão descontrolada, estamos no escuro, desisto acendo a luz. Continuou tendo medo do escuro. Olha para a solidão batendo à nossa porta buscando a felicidade existente fora do nosso mundo. Era só tristeza disfarçada com sua máscara, observando o caos que era nossa ilusão.

Quero ficar no escuro. Por favor, apaguem as luzes. Luz, paz, sossego, era tudo que eu precisava e você não deu atenção. Era a que tinha cortado o dedo… Você sorrir e fez de conta que nada estava acontecendo. Vamos ascenda essas luzes também! É a desilusão, nosso amor jogado na lata de lixo da esquina que você me chamou de bicho. Bicho não sou, só tenho medo do escuro e pronto. Você me disse que estava pensando em desistir de viver, quer morrer? Não cometa essa injustiça com sua vida – que já é minha. Não brinco com minha vida, vivo por sua causa e se você morrer… Eu morro também… E você morreria por mim?

Estou preso no pensamento, delírio, ficção, loucura, nossa loucura. Não, não estou preso nisso, estou trancado no banheiro. Talvez a culpa seja minha, eu não vi ninguém viu. Eu estava errado, procurava ver a realidade das coisas ao meu redor e agora parece tudo tão deserto. A parte incompleta do meu ser é o meu medo. E por favor, era que apague essa luz, não me pergunte por quê. Será que ainda amo você? A loucura viver nesta escuridão se você.

Sou eu mesmo e estou aqui e você nem sorrir. Também não e estou ao teu lado, você era meu motivo de riso. Eu ria com aquelas cenas ridículas que nós participávamos. São as lembranças que tornam um ser humano um animal sentimental. Sem riso estou aqui, lá sozinha você está. Não consigo distinguir onde estou… Preso no delírio, num banheiro escuro… Posso até apostava que o céu não é mais azul, e o sol? Será que ainda é amarelo? Tanto tempo presa que e pro consigo me lembrar das coisas de lá de fora. Aqui dentro é tão escuro, frio e é por isso que não consigo rir, nono Kohl pelos cantos da parede do banheiro, ouço teu choro lá de fora e você parece estar arrependida, ouço soluços você está chorando, sua consciência pesa.

Olha! Estou preso aqui e, por favor, não me diga nada, não quero de sua sentimentalidade, ela perturba-me. E pare também com suas perguntas por que é tudo sem sentido. Porque estou aqui? Eu sei a resposta, mas não quero ouvir de você. Pare de chorar, pare de soluçar. Eu não aceito suas desculpas. Abra a porta. Quer conversa contigo. Olha meu lado sentimental! Não é igual seu, mesmo assim estou feliz, não porque ti vi, não… Eu me sinto feliz por saber que venci meu medo, meu tédio. Vamos ver quem tem medo? Lembro que você me perguntou isso. Eu tinha e agora é você que tem, vamos apague a luz! E não grite comigo: que não… Nem pense em fugir, você está presa e não me questione o porquê da luz acesa, esqueça, você está presa, te prendi e pode deixar que eu esqueço tudo aquilo que passou…

Quando tudo era estranha, nós nos entendíamos, tudo era lindo. Agora é só o tédio e algumas palavras perdidas numa folha papel. Onde estão os risos? Esquecido no passado? Num conto de fadas? Num precipício sem fim?

Fim… Que sempre era o começo de uma dúvida que resistia ao tempo e o silêncio. Minha cabeça martelava esta dúvida: se você me ama? Onde está o brilho do seu olhar? Tudo que já lhe foi dito, poderíamos construir novos mundos, poderíamos conhecer nossos mundos, mas não é possível que tenha pensado nisso. Agora é tarde para dúvidas e certezas–incertas, agora é tarde… Apague essa luz! Acho que não consegue. Onde está nossa doce loucura? Perdida também no passado?

Sei que vou fazer é certo…

Pelo menos dessa vez você me paga!

Culminando minha estupidez… Apago a luz.

Bruno Gonsalves 20-11-00

20:04H