DOR, DEPRESSÃO E LOUCURA

 

DOR, DEPRESSÃO E LOUCURA

Agora bem que eu poderia estar morto.

O espelho sorriu e todas as minhas mágoas afloraram. O espelho me falou destas lágrimas caídas no chão e o chão era apenas um chão sujo. Quando parei atua fronte entreabriu-se e vi-la nua. Minha cara nua no espelho sorriu um riso sem graça.

Um espelho e minhas dúvidas. Tenho minhas lágrimas, meu sangue, minhas ilusões, uma tristeza e a vida presa por quatro paredes. É a loucura que chega e paralisa meu cérebro, congela meu pensamento?

Eu queria dar um tempo as minhas indecisões. No meu cárcere sou o único louco… Minha imagem no espelho… Minha pele rasgada… Minhas veias perfuradas.

Não tenho coragem de ver a liberdade e a única coisa que quero é sair daqui, não consigo… Mas posso tentar.

A liberdade grita lá fora e as paredes do meu quarto querem explodir. Posso sentir cada rachadura e meu sangue que insiste em escorrer… Ele para em minhas veias. Tento controlar minhas emoções é inevitável. As cenas de uma mentira se repetem dolorosamente em minha mente. Só quero sair da minha loucura. Às vezes ela toma vida própria e foge do meu controle, perco-a de vista. Eu desejo encontrá-la mais à frente e quem sabe sair.

Enquanto isso tem os vidros quebrados no chão, espelhos que não refletem meu rosto desconhecem minha raiva. Quem sabe, se dor, se depressão, ou se é apenas loucura. Armas apontadas para as cabeças inocentes. Armas apontadas para os espelhos. Foram vocês que me chamaram de lixo! Na minha mínima perspectiva de vida… Sou comparado a um lixo.

Vidros quebrados, espelhos que não refletem minha dor.

Depressão e loucura?

Minha loucura é essa a minha. Uma crise, um sistema nervoso e suas hipocrisias. A vida é cheia de sentidos e os sentidos borbulham de tudo o que não é caos. Tudo sempre não tem sentido dentro de minha louca cabeça.

A heroína! Entrou em minha vida da forma mais complexa. Era só a depressão, dor e a loucura. Comecei a ter pesadelos tão reais quanto a minha vida ilusória. Eram cobras que se enroscava, deslizavam, por meu corpo. Eram cobras e eu sentia seu veneno circulando por minhas veias quase sempre entupidas por minha estupidez. Eram cobras circulando por minhas veias e eu sentia todo seu veneno por meu corpo, quase sempre dilacerado por minha loucura. E o amor doce mentira de existir. Tento ser eu mesmo na minha doce loucura. Quase sempre estupidez… É só a dor e a loucura. As ilusões e delírios e iam e vinham tão rápido que por dois instantes congelou meu pensamento, parou meu coração. Por um momento vi meu corpo parado, estirado. Neste minuto alguns sorriam, pois minha alma estava livre. Logo depois acordei. Abri os olhos e percebi que estava vivo. Minha alma não chorava mais.

Na frente do espelho tento ser eu e minha doce mentira de existir na frente do espelho. Aperta o gatilho? Furar meu peito com um punhal? Que representa a força máxima… A loucura.

Percebi que eu existia no meio de um universo.

De repente fiquei parado olhando para o espaço. Ele estava tão vazio quanto minha cabeça louca e vazia. Vendo a imensidão que era este vazio criei para o centro da atenção… Era eu sozinho observando um universo e a imensidão do mar. Era só universo que movimentava a milhares de metros além da minha inconsciência. O espelho riu de mim por apenas dois segundos e foi o tempo necessário para perceber que todas as dúvidas eram só perguntas.

Fiquei parado passando a limpo meu pensamento. Rascunho cheio de rabiscos e linhas tortas. O desenho era apenas uma paisagem morta, pois, não tinha movimento. É a solidão da minha individualidade que martelava meu pensamento. Eu estava tão cansado a ponto de não sentir meus músculos gritarem por socorro. Meu corpo reclama e o tempo espera a sorte.

Minha incontrolável vontade de morrer!

Então posso voltar ao passado, sentar e assistir as coisas que não fiz? Falar de minha infância e minha incontrolável vontade de morrer, as crises, delírios e pesadelos. O amor e as doces paixões apaixonadas. Lembrar da juventude… Todas as garotas frenéticas que se enroscavam e deslizavam por meu corpo frágil. Às vezes loucura. Às vezes verdade só saudade. Lembrar de quando tentava entender todas as tristezas – estas que contém em mim –, o amor querendo crescer, brotar do meu coração morto. No mundo – este que transformei – percebi uma pessoa que se dedicou. Ela invadiu meu coração e transformou-o numa flor que desabrocha no amanhecer. Uma paixão incontrolável. Eu no espaço infinito, nas estrelas… Era só o amor e a vontade de viver ao lado dela.

A noite estava fria, senti um calafrio a saudade de tua presença. Passaram-se dias e você não apareceu. Eu estava solitário novamente… Você nunca existiu era tudo uma ilusão de minha mente. Mas e os beijos, as carícias, os abraços?

Não acreditava que minha desilusão havia me abandonado. O passado que surgia em meus pensamentos fúteis. O passado aproveita as brechas da minha fraqueza. Dentro da minha cabeça a loucura desconhece meu corpo da forma mais complexa, os sentimentos borbulham… O amor e minha doce mentira de existe. Na frente do espelho, acordei e pensei que tudo era um sonho ou mais uma vez estava drogado e isso era sempre, e sempre se repetia o recomeço de novos e antigos pesadelos.

Heroína! Você nunca me salvou quando eu estava em perigo e você anda me levando a loucura. Pesadelos, coisas horríveis, ilusões e eu estava acordado…

Heroína! São cobras que deslizam por meu corpo e o veneno entrar nas minhas veias, circulando em meio ao sangue…

Heroína! Várias crises. As ilusões de minha mente que estavam transformando-se em verdade…

Heroína! Apertar o gatilho, furar meu peito com a força das ilusões que vêm e vão rápido e todos os pesadelos que nem esse. Esses pesadelos são tão reais quanto às ilusões que vêm e vão. A loucura, a dor e vidros quebrados espalhados no chão. Eles não refletem meu rosto. Armas apontadas para uma paixão e um homem com sua incontrolável raiva de espelhos que estavam sempre quebrados. Quando não era a criação de uma mente eram os pensamentos afogados em dúvidas.

E se eu resolver jogar-te a janela de minha imaginação tórrida?

A loucura de um vício banal e as ilusões de cobras que circulavam por meu corpo morto e minha estupidez inconseqüente.

A dor, o amor era a doce mentiram de desistir.

A depressão, vencer, e conquistar meu interior. Descobri que existo no meio de um sistema tão complexo. A heroína que serviu de ponte para a loucura. Fantasiar um ser que me ama e até morrer por descobrir que ele não existe. Não enxergar que estava no fim de mais um desses meus loucos pesadelos. Nem sempre o efeito passa! Meu coração acelera em um ritmo descompassado, varias lembranças voltaram a martelar minha cabeça. Será que é mais uma ilusão, a mesma de sempre e sempre será novamente a mesma desilusão?

E se eu resolver jogar-te a janela de minha imaginação tórrida?

E minha consciência nem me falou que nesta triste odisséia a vida transformou-se numa versão ilusória dos fatos.

Agora desligo todos os meus pensamentos sóbrios e minhas alucinações ébrias, febrias e doentias. Você é um doente ou um dragão pronto a devorar. Eu sou todo o inverso que lhe mostro. Antes que você olhe mais uma vez para mim, quero ser o que sempre quis e depois de desistir de tudo que fiz. Ontem você quis sorrir. Hoje as lágrimas são derramadas e amanhã não irão existir. Agora tento existir e lhe esquecer, mas, talvez haja alguma coisa, mas do que ontem que não fazia a menor diferença. Era a você que tentava sorrir para mim. Não quero de tua cara que enxuguei com um pano surrado. Talvez sorrir, fugir para um lugar onde não possa te ver. Você me traz tristeza.

Arma apontada para cabeça e todo o medo revoltou-se contra mim. Esta é a minha loucura.

Bem que eu poderia estar morto e você desconhece minha raiva.

Armas apontadas para os espelhos. Você não me mostrou a verdade, o que sempre fui e nunca quis. Você não me mostrou o caminho.

Lembra-se da janela e das desilusões? Agora não vou mais chorar, a janela está aberta, estou livre e vou em busca de novas emoções.

 

 

 

 

Bruno S. Gonsalves 22-06-2001

Trechos acidentais dos textos:

– eu sei.

– sorriso no espelho.

Adaptação do 12-04-2003.